Reflexões em Penedo

Aproveitei o feriado de Páscoa para fazer uma pequena viagem, o que para mim não eh normal, pois trabalho com o grupo de corrida em 99% dos finais de semana e feriados do ano, mas, resolvi ir a Penedo, por ser tranquila, não ser muito longe e ter bons percursos de treino.

A cidade tem muitos restaurantes, para vários gostos, embora não seja barata, da para comer bem a um preço razoável e para treinar eh excelente, com percursos também variados, embora as subidas se destaquem um pouco.

Sábado fui ao Clube Finlandês, assistir a um show de danças típicas.

Claro que não deixamos de achar um tanto engraçado, pelos trajes e o modo de dançar, mas, quando começamos a comparar com as nossas festas juninas, vemos que não tem tanta diferença assim, já que, cada uma a sua maneira, reflete a magia por tras das danças e contos populares, tão deixados de lado nos dias de hoje.

Mesmo achando que, por não ter muitas opções, a galera deve ensaiar muito em outros horários, era visível a alegria juvenil estampada nos rostos de crianças, adultos e idosos, uma genuína alegria e satisfação de estar fazendo o que gosta.

Pensei um pouco em minha vida e vi que também faço o que gosto.

Tenho a profissão que desejei, trabalho com meu esporte preferido e em uma empresa que se eu pudesse a teria escolhido, mas, melhor do que isso, nós nos escolhemos...

Tenho uma adorável namorada e um bando de amigos loucos que eu adoro, embora, por vezes, sejam um pouquinho exagerados.

Mas, ainda fica uma estranha sensação que ainda falta algo...

Talvez seja a falta de coletividade, civilidade e cidadania.

Esta cada fez mais difícil conviver com o mau humor, o egocentrismo, o egoísmo e a má educação do carioca em geral, o que, infelizmente, esta difícil de se acostumar.

Moro aqui a quase 51 anos e não trabalho em um escritório, ou seja, tenho tempo de casa e percorro a cidade varias vezes por semana, então, basta observar um pouco.

Já que não da para se acostumar, de alguma forma, tenho (temos) de tentar ignorar esses “acidentes de percurso” e, de alguma forma, tenho (temos) de nos adaptar a realidade que nos envolve, o que não é tão fácil.

Nós e o mundo estamos em constante mudança e nem sempre as coisas vão para o lugar que achamos bom ou que gostaríamos.

Temos de nos adaptar sem perder os valores que nos foram passados por nossos pais, avós, professores e cultura.

Cabe a nos mesmos escolher os caminhos a seguir e a maneira de ser, somos assim por opção própria, ninguém nos obriga.

Como ninguém obriga aquela galera lá de Penedo a dançar uma musica que sequer entendemos a letra...

Todos nós podemos sentir aquela mesma alegria, que todos nós já sentimos de alguma forma, mas, temos de ter coragem para entrar na dança sem ter medo de errar.

Quando éramos criança ou adolescente, tínhamos exatamente aquela alegria e coragem.

A alegria por estar nos divertindo com pouco e a coragem para mudanças.

Será que alguém tirou isso da gente ou nós é que deixamos de lado?

Uma das sensações mais legais que temos é a da consciência de dever cumprido e é aqui que eu desafio vocês.

Desafio a serem melhores profissionais e pessoas do que eram ontem.

Desafio não a fazer um ato de excelência, mas, sim, vários, vários e vários atos de excelência.

Desafio a ignorar todas essas pessoas que trabalham exclusivamente pelo dinheiro e pela satisfação momentânea.

Desafio a ignorar as pessoas pequenas de alma e egoístas.

Desafio a continuar humanos e sensíveis.

Não podemos deixar que outros digam o que temos de ter para sermos felizes.

Não podemos deixar que outros nos façam perder a capacidade de indignação ou de ter alegria com nosso trabalho e com o que temos hoje.

A vida é aqui e agora, não podemos mudar o passado e o futuro pode ser que não chegue.

Ligue para aquele parente ou amigo com quem você não fala ha muito tempo, ajude a alguém, plante uma arvore, faça aquela viagem que você queria fazer, pegue de volta aquele sonho que você teve há tempos, mas, que você ainda lembra dele.

Sonhos não envelhecem.

E nós somos do tamanho de nossos sonhos...

Obrigado Penedo.